Devil May Cry 2 - Review
Devil May Cry 2 é a continuação de Devil May Cry. Chegando em 2003 pelas mãos da Capcom, mas não pelas mãos do Hideki Kamiya, criador e idealizador da série. Durante a localização de Devil May Cry para a América do norte e Europa, Kamiya recebeu um pedido para que ele entregasse os documentos de design e o roteiro do primeiro jogo, deixando claro que a Capcom já tinha aprovado uma continuação e que o desenvolvimento já estava a caminho, evidentemente sem o Kamiya estar envolvido.
Claro que isso deixou ele bastante decepcionado, visto que Devil May Cry foi uma criação sua apoiada pelo Shinji Mikami, mas não tinha muito o que fazer já que a Capcom já estava decidida na produção de uma continuação sem sua participação. Na realidade esse buraco era ainda mais embaixo pois o jogo foi desenvolvido pela Capcom Production Studio 1 (Estudio que focava na produção de jogos para arcade), enquanto Devil May Cry 1 foi feito pela Capcom Production Studio 4, a produção do jogo estava na mão de pessoas completamente diferentes em todos os fronts.
Mas falando do game por um momento, ele segue Dante e Lucia, a guardiã da ilha que eles estão, tentando evitar um empresário de ganhar poder infinito. Basicamente isso. A história do jogo é bem… nada a ver com nada, é até estranho vindo da história mais pessoal e emocionante que foi Devil May Cry 1, nenhum personagem cativa e até a Lucia eu achei sem sal. Muita gente reclama do Dante do segundo jogo, dizendo que ele é sério demais e em partes eu concordo com isso, mas acho que esse dante é bastante legal para certos momentos da história. Por mais que eu ame o Dante palhaço, eu acho que a dinâmica dele com outros personagens brilha muito quando ele para e fica 100% sério quando preciso.
Na parte de gameplay é EVIDENTE que a equipe que trabalhava não entendia o apelo do primeiro jogo da franquia. DMC 2 é fácil, com um sistema de combos que facilitou MUITO a execução, e um desbalanço de poder enorme nas armas de fogo. Existem bosses nesse jogo que você só consegue bater neles atirando neles, então a batalha inteira é você parado spammando o botão de atirar, sem ação nem emoção nenhuma. A única coisa relativamente legalzinha de todos os sistemas que o game introduz é a de customizar o Devil Trigger, o modo que você carrega e fica mais poderoso por alguns segundos, você consegue mudar vários elementos do DT e deixar ele perfeito para o seu tipo de jogo, ou mudar ele para ajudar em uma situação específica como liberar o voo e ignorar puzzles, mas tirando esse único elemento, NADA desse jogo no quesito de gameplay é melhor ou igual ao DMC 1.
Em DMC 1 a gente enfrenta chefes desafiadores e com batalhas bastante divertidas, alguns até são rápidos se você jogar muito bem, recompensando sua habilidade. Claro que ainda existem chefes ruins, Nightmare por exemplo, mas ainda assim os outros são tão legais e divertidos que acaba compensando. Em DMC 2 a gente não enfrenta UM chefe divertido e desafiador e o único chefe desafiador é horrível de chato. É incrível como NENHUMA batalha desse jogo é marcante por bons motivos, novamente citando o chefe que é um helicóptero que você mal consegue atingir com armas corpo a corpo e tem que ficar parado atirando nele até ele morrer, o que leva muito tempo pois ele tem muita vida.
Os gráficos do jogo são legais, nada de muito absurdo, e sua direção de arte é extremamente simples devido ao uso de cenários modernos, então tudo é somente cidade moderna sem muita variação.
Um detalhe bastante legal e divertido desse jogo é que o diretor creditado a ele é Hideaki Itsuno, no sentido original Itsuno Hideaki, Diretor de Dragon’s Dogma e o cabeça dos próximos DMC’s, então é bem estranho ver que alguém que ia vir a fazer Devil May Cry 3 e 5 iria fazer um DMC que não consegue entender o que DMC 1 foi. Pesquisando sobre eu descubro que o Itsuno só se tornou diretor de Devil May Cry 2 nos últimos 6 meses de desenvolvimento para o jogo lançar, o diretor original, o cabeça por trás das maiorias das decisões bosta desse jogo é uma pessoa que não foi creditada. Itsuno conta que até tentou mudar algumas coisas mas que, devido ao momento que ele foi introduzido ao projeto, ele não tinha muito poder de fazer as mudanças que fariam o jogo ser mais “Devil May Cry”. Isso mostra o quão BAGUNÇADO foi o desenvolvimento desse jogo e como Itsuno foi um santo por fazer Devil May Cry 3 logo depois, que inclusive vai ter Review depois.
No geral, Devil May Cry 2 é um jogo que não entende seu antecessor e foi feito puramente por dinheiro e sem nenhuma intenção de ser uma sequência da franquia. É um jogo fraco, com uma gameplay chata, cenários ruins e chefes idiotas. Agora entendo por que falam que esse jogo pode ser ignorado, e merece ser ignorado. Eu peguei um ranço desse jogo que achei uma afronta ele ter me oferecido para jogar a campanha da Lucia, que complementa a do Dante, depois que terminei a campanha dele. E mesmo que eu tenha terminado o game em 2 horas e 30 minutos eu me recuso a jogar esse negócio de novo. Jogo horrível.